Ton White e Vinci Cave: entrevista com duo de rockabilly do Beecnic 2013

12 out

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No próximo domingo (13), a partir das 10h30, acontece mais uma edição do Beecnic, o piquenique anual do Be Style. Em seu segundo ano consecutivo, o evento, destinado aos colaboradores e parceiros do site, tem o intuito de ressaltar o clima colaborativo do portal. Gastronomia, música e relacinamento resumem a proposta do evento, que toma espaço no parque Villa Lobos, na zona oeste da capital paulista. Para animar o público presente, se apresentam Vinci Cave e Ton White, ambos da banda Brazilian Cajuns, numa versão acústica inédita. Confira nosso bate-papo com os músicos, em mais uma matéria da série Good Old Music!

De onde vocês se conhecem?

Vinci Cave – Eu já tinha visto o trabalho do Ton White em vídeos do Youtube, mas fui realmente conhecê-lo em um ensaio do Space Comets, uma das suas bandas, em 2012. Ficamos amigos e, logo, entramos juntos para a Brazilian Cajuns (Londrina – PR), que, há 7 anos, faz um som country-a-billy (uma mistura de country com rockabilly), como eles mesmos brincam.

Nos conte um pouco sobre seus projetos musicais.

Ton White – Faço parta das bandas Space Comets, Brazilian Cajuns e Cadillac Rosa, que é o meu projeto mais antigo, formado em 2004, e tem uma pegada mais rock ‘n roll. No Space, sou vocalista e toco violão com Sonny Rocker, ex-baixista do Crazy Legs, e o guitarrista Osakabilly. Com eles, faço um rockabilly bem tradicional.

Já com os Cajuns, componho, toco violão e sou segunda voz, com o próprio Vinci Cave, na guitarra. Além disso, estou desenvolvendo meu projeto de ukulele e voz, que um dia sai do papel, mas que vai bem além do rockabilly, com músicas próprias.

Como e quando vocês começaram a ouvir rockabilly?

Ton White – Comecei a ouvir rockabilly e rock ‘n roll dos anos 1950 por causa dos discos da minha mãe. Ainda não ligava o nome à pessoa, mas já gostava do som e também da batida das músicas. Depois, fui conhecendo o estilo naturalmente.

Vinci Cave – Acho que nem eu saberia dizer quando. Acho que desde bebê! Meu pai e minha mãe já escutavam rockabilly antes de eu nascer, por isso, cresci ouvindo bandas como Stray Cats e Jerry Lee Lewis, que eram meus dois favoritos. Faz parte de mim desde sempre!

Defina o que é o rockabilly para vocês em uma palavra?

Ton White – Energia!

Vinci Cave – Wild (selvagem)!

Se pudesse voltar no tempo e assistir a um show, quem seria o músico escolhido e em qual época?

Vinci Cave- São tantos que fica até difícil escolher só um! Apesar de gostar bastante de rockabilly, costumo não me restringir apenas aos anos 1950. Curto músicos, que vão dos anos 1920 aos 2000, de diferentes estilos, como o jazz do Django Reinhardt, os blueseiros do Mississipi, a psicodelia de Jimi Hendrix e The Doors, as doideiras do Cramps, até o resgate da boa música, tocada de um jeito inovador, por Jack White… e por aí vai! Mas, certamente, ficaria muito feliz em ver um show do Muddy Waters ou do Howlin’ Wolf, que já não estão mais aqui. Energia pura!

O que você acha do cenário musical atual, em geral?

Vinci Cave – Bem variado. Infelizmente, tem muita gente sem talento que, a maioria das vezes, só está lá porque o público aceita tudo o que é imposto pela mídia. As pessoas vêm perdendo a referência do que é realmente bom e acabam aceitando qualquer porcaria. Mas, ao mesmo tempo que tem gente ruim fazendo sucesso, também tem muita gente boa escondida ou que está sendo descoberta aos poucos.

Quais instrumentos vocês tocam?

Ton White – Eu toco violão, guitarra, ukulele e berimbau (!). Também canto e grito, né? (risos)

Vinci Cave – Guitarra e violão, por enquanto… Mas, pretendo aprender mais alguns durante a vida! Inclusive, tenho um teclado e uma gaita para brincar. Quanto mais, melhor!

Como surgiu o convite de tocarem juntos no Beecnic, numa versão acústica?

Ton White – A Brazilian Cajuns foi convidada pela senhorita Mirella Fonzar, editora do Be Style e nossa amiga pessoal. Mas, como o evento terá que ser acústico, por conta do local (Parque Villa Lobos), decidimos fazer a barulheira apenas com voz, ukulele e violão.

Qual a diferença, na sua opinião, de tocar durante o dia, num espaço aberto?

Vinci Cave – Ver o céu enquanto tocamos é uma experiência incrível! A energia é diferente de quando se toca em uma balada fechada, por exemplo, dá uma sensação de liberdade muito maior. E isso, para um músico, é foda. Com certeza, o evento vai ser muito legal!

Fora o trabalho com música, se dedicam a outra atividade?

Ton White – Bem, fora a música, também sou tatuador e artesão há um bom tempo. É preciso, né? Pois viver de música nesse País, e também nessa época (em que não existe mais música, como conhecemos antigamente), é muito difícil.

Vinci Cave – Sou barbeiro da 9 de Julho, trabalho na loja da Vila Mariana. Por lá, além dos tradicionais cortes masculinos e barba à moda antiga, feita na navalha e com toalha quente, somos especialistas em cortes dos anos 1940 e 1950. É um lugar muito bacana de se trabalhar, pois tenho a possibilidade de me aproximar das coisas que gosto, como a música, os objetos, o visual de época, etc.

SERVIÇO

Free Bird Tattoo
Rua Otilia, número 54 – Penha – São Paulo (SP)
(Próximo ao Metro Guilhermina Esperança)

Barbearia 9 de Julho
Rua Domingos de Morais 1031- Vila Mariana – São Paulo (SP)
Consulte o site para outras lojas: http://barbearia9.com.br/

Beecnic 2013
Parque Villa Lobos – Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001 – São Paulo (SP)
Domingo, 13 de outubro de 2013, a partir das 10h30

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Conheça o Asteróides Trio, numa entrevista com o baterista e vocalista Franco Kid

13 set

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Lou Reed estava certo, “o punk está mais vivo do que nunca”. E não precisamos ir até Londres ou Nova Iorque para provar que essa afirmação faz sentido. Dando continuidade à série publicada no Be Style, neste mês de setembro, convidamos o baterista e vocalista do Asteróides Trio para um bate-papo.

Quem não conhece o outro lado do tímido arquiteto e cartunista, Leandro Franco, talvez não imagine como ele possa ser em cima dos palcos, quando se transforma em Franco Kid. O músico nem parece a mesma pessoa quando apresenta seu “Punkabilly” cheio de atitude e irreverência, ao lado dos amigos Cláudio Formiga (guitarra) e Weasel Rocker (baixo acústico).

Formado em 2006 na cidade de Arujá (SP), o Asteróides Trio lançou recentemente um álbum, produzido por Cleiner Micceno e Joe Marshall, que é um tributo rockabilly ao punk nacional. O disco conta com a participação de grandes nomes do gênero, como Ronaldo Passos (Inocentes), Carlos Finho (ex-365), Ariel e Luiz Abbodanza (Restos de Nada).

Entrevista Franco Kid – Asteróides Trio

Conte-nos um pouco sobre a trajetória do Asteróides Trio.

Franco Kid – Conheço os caras há mais de 20 anos. Antes do Asteróides, tínhamos bandas de punk rock (The Grumpys, Faces da Miséria, Asterix, Capitão Fuck, etc). Nos conhecemos no começo da década de 1990. Nessa época curtíamos muito Ramones, fazíamos fanzines e o Weasel participava ativamente do movimento punk.

Como você descreveria a banda? Ela tem um estilo definido?

Franco Kid – Eu defino como rock’n’roll com influências de rockabilly, psychobilly e punk. Alguns dizem que é psychobilly. Outros dizem que é garage rock. Já nos chamaram até de psychobilly rural. Particularmente, procuro não me prender a rótulos.

Como e quando você começou a ouvir rockabilly e psychobilly? E o punk?

Franco Kid – Comecei a ouvir rockabilly e psychobilly há aproximadamente sete anos. Antes disso, eu era mais ligado em punk rock mesmo. Conheci muita coisa de psychobilly no extinto fórum Psychobilly Brasil.

De onde surgiu a ideia de juntar dois estilos tão distintos, no tributo Rockabilly ao Punk Nacional, o “Punkabilly”, lançado este ano?

Franco Kid – Nós viemos do punk rock. Para nós era natural tocar versões de bandas nacionais em nossos shows. Em conversa com o amigo Cleiner Micceno, decidimos transformar esse repertório num CD, que também teve a produção do Joe Marshall (ex-Crazy Legs Rockabilly).Foto: Divulgação / Roberto Gasparro

Nos conte sobre as participações, como a do Ronaldo Passos do Inocentes, no CD?

Franco Kid – Além do Ronaldo, participaram Luiz e Ariel (Restos de Nada) e o Carlos Finho (365/MMDC). Os caras são super legais e receptivos. Foi uma experiência única para nós.

É díficil tocar bateria e cantar ao mesmo tempo?

Franco Kid – Sempre toquei e cantei ao mesmo tempo desde a década de 1990, quando tínhamos uma banda de punk rock chamada The Grumpys. Sinceramente, acho mais fácil do que tocar guitarra e cantar.

Há espaço para todos os tipos de som no país do samba?

Franco Kid – Pouco espaço. Poucas pessoas gostam realmente deste tipo de música. Tocamos há anos, apesar das dificuldades não pensamos em parar. É por amor mesmo.

Para você, é possível viver de música no Brasil?

Franco Kid – Acredito que dá pra sobreviver, mas depende muito do tipo de música que você faz. Nesse sentido, nós não temos apelo comercial.

Você também é arquiteto e ilustrador, certo? Todas as artes do Asteróides são feitas por você?

Franco Kid – Sim, sou arquiteto e já trabalhei em diversos escritórios de arquitetura, inclusive em Manaus. Também fui cartunista do Diário de Guarulhos por mais de 20 anos. Faço algumas animações e clipes para a banda. A arte do novo logotipo da banda é do Rodrigo Chã.

Quais são suas maiores inspirações, tanto na música, como na arte?

Franco Kid – Na música: rock ‘n roll do anos 1950, punk rock de 1977 e psychobilly dos anos 1980. No desenho: Robert Crumb, Angeli, Glauco, Laerte e Philippe Vuillemin.

E a animação do clipe Twist Vodu? Também foi feita por você?

Franco Kid – Sim. Essa animação foi feita por mim. Tudo a lápis. Fiz essa animação inspirado no período de um ano que morei no Amazonas. Também desenvolvi um clipe de animação para a música “Bullying na obra”, da banda Reboco.

PING-PONG

– Defina o que é a música para você em uma palavra: Refúgio
– MP3 ou Vinil? Vinil
– Um lugar… Ouro Preto (MG)
– Um lugar para ouvir rock ‘n roll… Minha casa
– Um show memorável… Iggy Pop and the Stooges
– Um músico… Buddy Holly
– Um disco… Never Mind the Bollocks – Sex Pistols
– Uma música… Lovesick Blues – Hank Williams

Rockabilly and me

7 jun

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Desde que descobri que existiam festas de rockabilly, rock n roll, e afins, nenhum final de semana foi mais o mesmo na minha vida. Acabou-se o tempo em que, se quisesse sair, eu teria que acompanhar meus amigos em noites alucinadas em baladas, dançando uma música que eu não gosto e cruzando um monte de gente fútil. Caso contrário, ficaria curtindo minha solidão, ouvindo minha música sozinha, escrevendo ou lendo sobre a história de meus ídolos.

O final de semana vai chegando e não vejo que é o momento de morrer de tanto beber ou beijar mais uma boca, como muita gente da minha idade pensaria. Sinto que chegou a hora de morrer de viver. De realmente me divertir. De sentir. De tirar todo o blues que existe dentro de mim, com um som alegre, selvagem, porém, deliciosamente inocente. Chegou o momento de encontrar novamente aquelas pessoas, perdidas no mundo, que, assim como eu, vivem a música do passado de forma intensa, pois acreditam que é possível manter essa chama acesa.

E são essas pessoas, que costumam ouvir todas as minhas groselhas crenças e filosofias sobre música, e sobre o que cada som representa pra mim, que me inspiraram a fazer esse post e compartilhar com você, amigo, algumas ideias. Quero apresentar algumas músicas de rockabilly, rock n roll, etc, que parecem “bestinhas”, hinos adolescentes, músicas de americanos brancos, entre outras denominações , mas que realmente dizem um monte de coisas legais em suas letras absurdamente simples.

My Boy Elvis

Para quem ouve, My Boy Elvis parece simplesmente uma homenagem ao rei do rock, Elvis Presley. Mas, a música escrita por Aaron Schroeder e Claude Demetrius, em 1956, famosa na voz de Janis Martin, é muito mais do que isso – pelo menos pra mim. Quando ela fala …

Heartbreak hotel, blue suede shoes
He walks away with all my blues
Take my troubles, take my pain
Load ‘em on that Mystery train
My boy Elvis, real rock

Sinto que isso é o que ele e outros músicos de rockabilly despertam também em mim. Quando ouço esses sons, é como se realmente Elvis, Janis, etc, estivessem falando ao meu ouvido: ‘ei, vai ficar tudo bem. Essa música vai ajudar a tirar essa tristeza de dentro de você, vai te ajudar a esquecer os problemas da vida. Vai te levar pra longe do blues’.

E não acho que esses versos foram escritos aleatoriamente. Naquela época, os Estados Unidos viviam uma intensa segregação racial e isso se refletia absurdamente na música. Uma atmosfera hostil, onde de um lado, os negros tocavam seu blues, de outro, os brancos com seu hillbilly, country…

E no meio de tudo isso, um bando de adolescentes descobrindo a vida, a música, o amor e a amizade. Pessoas que eram tocadas por aquele swing dos negros, mas tinham em si a liberdade dos brancos, que, até então, podiam fazer música como bem entendessem. E porque não juntar tudo isso e experimentar um hino de igualdade, um canto de união?

[Sabemos que nem todos pensavam assim, mas prefiro acreditar que sim!]

Blues, stay away from me

Essa e tantas são as músicas de rock and roll, country e rockabilly que trazem a palavra “blue” (azul) em suas letras. Mas, por que? São regravações de blues? Não… Em inglês, a cor também significa algo como tristeza, melancolia e, muitas vezes, essa tristeza remete a essa segregação racial tão latente nas décadas de 1950 e 1960.

Quando os caipiras Delmore Brothers escreveram Blues Stay Away From Me, por exemplo, talvez não imaginassem o poder dessa canção, em seguida, gravada por Johnny Burnette Trio, Gene Vincent and The Blue Caps, Wanda Jackson, os Everly Brothers, e outra infinidade de artistas americanos. Na letra, muito se fala sobre amor, mas também sobre liberdade…

Blues stay away from me
Blues why don’t you let me be
Don’t know why
You keep on hounting me

Não é o mesmo blues que Janis Martin, ou quem escreveu My Boy Elvis, sentia? A diferença é que os irmãos Delmore ainda não haviam encontrado a cura para essa tristeza, em 1949. Na minha cabeça (pode ser loucura ou filosofia de bar), essa cura só foi encontrada em meados dos anos 1950 mesmo, com o surgimento do rock and roll e do rockabilly.

Boppin the blues

Acho que na cabeça do Carl Perkins também. Eu estava num show do Henry Paul Trio há algumas semanas e tive esse insight, quando o ouvi cantando Boppin The Blues, de Carl. Aparentemente, um som adolescente, como qualquer outro. Mas, ao prestar atenção na letra, novamente me surpreendi com tamanha sensibilidade do compositor. Dá uma sacada:

Well, the doctor told me, Carl you need no pills.
Yes, the doctor told me, boy, you don’t need no pills.
Just a handful of nickels, the juke box will cure your ills.

Pois é, na música, o médico fala para Carl Perkins que ele não precisa de remédios para curar suas dores. Só um punhado de moedas e uma juke box vão livrá-lo de suas doenças. Será que ele realmente está falando de doenças físicas ou se referindo mesmo às doenças da alma? Do tão temido blues? Da tristeza que imperava no país naquele momento histórico?

Pois é, o som de uma juke box, ou quando um músico chegava à cidade para um show, realmente tinha o poder de fazer aquelas pessoas se esquecerem das tristezas que eram obrigadas a presenciar naquela época e viver a alegria da união que a música proporciona. Sem precisar se importar com cor da pele ou classe social de quem estava tocando. Pode até parecer utopia tudo isso, mas é algo que eu realmente acredito que movimentou toda essa cultura.

Get Rhythm

Talvez o som que mais prove que minha teoria tem fundamento é Get rhythm, de Johnny Cash. Aquela coisa que falei, anteriormente, sobre o surgimento de um hino de união entre brancos e negros, uma música alegre e que ajudou a espantar a tristeza de muita gente naquela época, começa a fazer ainda mais sentido quando estruturada por Cash. Olha o que ele diz:

Get rhythm when you get the blues
Come on, get rhythm when you get the blues
Yes a jumpy rhythm makes you feel so fine
It’ll shake all the trouble from your worried mind
Get rhythm when you get the blues

A letra da música é uma conversa de Cash com um menino pobre, enquanto ele engraxa o seu sapato. Ele pergunta, ‘como você consegue se manter alegre, estando nessa posição de inferioridade?’. O garoto responde, ‘mantenha o ritmo, quando o blues aparecer. Se você manter o ritmo, vai parar de se preocupar e uma hora vai se livrar dos problemas’. Simples assim.

E é exatamente o que os sons dos anos 1950 me despertam. Shake all my troubles away. Pode parecer teoria de hippie-a-billy, como diz um amigo meu, mas eu prefiro seguir acreditando nisso. Acreditando no que eu sinto. A rebeldia da MÚSICA é muito maior do que sair por aí brigando e questionando quem está há mais tempo neste “rolê”. É questão de entender e, principalmente, sentir a essência da coisa.

—-

Texto dedicado aos meus amores, que compartilham comigo tudo de melhor que essa música proporciona: Vinci e as cats, Let e Brisa (eles vão me matar com esse apelidinho hahaha).

Lynette Morgan and The Blackwater Valley Boys

2 jun

Lynette+Morgan+And+The+Blackwater+Valley+Boys+lm

Quer saber mais sobre a cantora Lynette Morgan e sua banda Blackwater Valley Boys? Dá uma conferida no post do pessoal do blog Rockabilly Rock 50s. Por lá, é possível encontrar um conteúdo bem bacana relacionado a rockabilly e afins (country, psychobilly, rock ‘n roll, blues, etc). 🙂 Clica, aqui!

Hank Snow

13 maio

Hank Snow

Dessa vez, vim recomendar um post do mais novo parceiro do “Good Old Music”, o blog Rockabilly Rock 50s, do Ramis Abud. Por lá, é possível encontrar um conteúdo bem bacana relacionado a rockabilly e afins (country, psychobilly, rock ‘n roll, blues, etc). Uma das últimas postagens, é sobre a carreira do maravilhoso cantor country, Hank Snow, falecido em 1999. Vale a pena a leitura!

Para acessar, clique aqui.

Entrevista com Sonny Rocker, ex-baixista do Crazy Legs e atual Space Comets

10 maio

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“Não se faz mais música como antigamente”. Se você ainda acredita nessa frase, estou aqui para contrariá-lo com mais uma reportagem que prova que a boa música ainda vive, e o melhor: fora das vitrolas empoeiradas. A ideia dessa série, publicada no Be Style, é trazer entrevistas com músicos e bandas atuais que apostam em algum estilo musical nascido no passado (até os anos 1970), e que, hoje, vem perdendo espaço na mídia para a música Pop, Indie, Hip-hop, etc.

Este mês de maio, convidei o baixista de rockabilly Sonny Rocker para um bate-papo. Com cerca de duas décadas de estrada, o músico é um dos fundadores da lendária Crazy Legs, no qual participou de todas as formações, desde os anos 1990 até o fim da banda, em 2013. Sérgio Paulo (seu verdadeiro nome) foi um dos responsáveis por inserir o Brasil no cenário rockabilly mundial. Apresentou-se em festivais internacionais e teve sua música publicada em coletâneas na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Atualmente, ele integra a banda Space Comets, ao lado de Ton White e Osakabilly, e é o mais novo baixista do Henry Paul Trio.

Confira a entrevista a seguir, onde Sonny fala, abertamente, sobre vida e carreira.

Como e quando você começou a ouvir rockabilly?

Sonny Rocker – Nos filmes que passavam na sessão da tarde, com certeza. Sempre tinha algo relacionado aos anos 1950; Elvis Presley, carros antigos, estilos e atitudes da época que eu achava o máximo. Lembro-me, como se fosse hoje, quando assisti ao filme A Primeira Transa de Jonathan (1985), no Corujão, a trilha sonora era incrível. Outros filmes que sempre passavam eram Conta Comigo (1986), Porky’s (1982), e por aí vai. Quando consegui meu primeiro emprego, no Mappin da Praça Ramos, costumava andar pelo setor de discos. E foi lá onde encontrei uma fitinha cassete do Buddy Holly. Nossa, foi demais! Então, eu vi que aquilo me perseguia por onde eu fosse, aquele estilo musical realmente fazia eu me sentir bem.

O que mudou desde aquela época? Como você vê a cena rocker hoje em dia?

Sonny Rocker – Nossa, mudou muita coisa. Quando me infiltrei na cena, eu era mesmo um moleque. Cabulava aula e ia pra Galeria do Rock com o avental do colégio, usando calça de tergal azul marinho e tênis kichute amarrado na canela. Tinha uma loja de um argentino chamado Rubão, ele tinha coisas raras que meu bolso não podia pagar. Lá, tive meu primeiro contato com um rocker de verdade, o Rato, da gang Ratz. Ele era DJ e uma espécie de intelectual dos vinis. Me mostrou coisas que me deixaram louco, já que eu nunca tinha tido nenhum acesso àquele material. Era tudo importado, imagina só, o Brasil vivia uma espécie de cortina de ferro.

A partir desse encontro, fiquei sabendo sobre a existência do The Rock´n´roll Club do Brasil, e que o clube tinha um presidente e toda uma leva de caras que, assim como eu, também amavam aquele tipo de música. Ele pegou meu endereço e começei a receber as cartas do Eric Von Zipper. Eu lembro que li o nome do remetente e falei: “caramba que nome é esse, Eric Von Zipper?”. Hoje eu vejo a cena grande e de fácil acesso, mas, nossa, sinto muita falta daquela época! Sei que as coisas mudam com o passar dos anos, mas gostaria que o tempo parasse nos momentos inocentes e felizes que tinhámos.

Nos fale um pouco sobre sua carreira. Como começou? Por quais bandas passou?

Sonny Rocker – Quando conheci o Rato na galeria, ele me apresentou o Fabio McCoy. Ele era baterista e estava precisando de um baixista acústico para montar uma banda de rockabilly, mas eu só tinha um baixo elétrico. Mesmo assim, falei que gostaria de fazer parte da banda e que juntaria dinheiro para comprar um baixo acústico. Assim, montamos o The Outsiders. Quando a banda acabou, o McCoy foi tocar bateria na Elvis Rocker, banda do Paulo, hoje conhecido como Henry Paul.

Depois, os dois me convidaram e, juntos, montamos o Crazy Legs, que durou 17 anos com diferentes formações. Até o fim da banda este ano, tive alguns projetos paralelos. Fui baixista do Kid Vinil; tive uma banda de surf music chamada Los Tornados, com o McCoy e o Carlos Nishimya; gravei os baixos para os CDs do Zumbis do Espaço; montei uma banda junto com meu amigo Thiago Farah e Rodrigo Haddad, chamada Hillbilly Combo; hoje tenho o Space Comets, com Ton White e Osakabilly, e sou baixista da banda Henry Paul Trio.

Dezessete anos de Crazy Legs. Você acredita que exista uma fórmula para a longevidade de uma banda?

Sonny Rocker – A formula é investir, acreditar, respeitar, tolerar, compreender, viver e sonhar, mas a amizade é fundamental, sentimento que, às vezes, por imaturidade ou falta de diálogo fez ruir tudo o que construímos com nossos sonhos.

Qual foi o melhor momento que se lembra ter tido com o Crazy Legs?

Sonny Rocker – O melhor momento de uma banda é, com certeza, o reconhecimento do público. Poder sentir que o que você faz é importante para uma pessoa ou para um determinado grupo, ver que eles estão na sua frente curtindo e ajudando levantar a bandeira da música e toda uma história.

E o mais difícil?

Sonny Rocker – Tivemos alguns momentos difíceis ao longo desses anos. Quando o Paulo (Henry Paul) deixou a banda para seguir carreira solo, nós brigamos, o clima ficou ruim. Nós não tocavámos juntos, ficamos muitos anos sem nos falar e isso fez muito mal a mim, ao McCoy e ao Paulo. Nós tinhámos acabado de gravar o Off Society Rules, pela 13 records, estava tudo bem, mas não conversamos o suficiente para nos acertar, então, deixamos as mágoas e o rancor nos dominar e, com isso, decepcionamos muitos de nossos fãs.

O Julio Cesar, Joe Marshall, assumiu os vocais e a guitarra da banda e, com ele, gravamos 3 CDs. Fomos responsáveis por colocar o nome do Brasil no cenário rockabilly mundial, em coletâneas na Europa, EUA e Japão. Mas, nosso castelo, que achávamos que era de pedras, ruiu mais uma vez com a saída do Joe. Eu e o McCoy pensamos em desistir e irmos cada um para um lado. Testamos possibilidades em um quarteto que pifou logo no primeiro show. Era visível o desânimo dos fãs da banda nas apresentações.

Quando convidamos o Carl Horton (Caio Durazzo), ele nem imaginava a bomba que tinha em mãos. Firmamos um compromisso numa padaria da Pompéia, onde fizemos nossa primeira reunião com a ideia de levar a banda para tocar em um festival da Europa e no Viva Las Vegas, nosso maior desejo. Então, foi um recomeço muito difícil, mas sempre acreditando em dias melhores

Você considera difícil conviver durante tanto tempo com uma banda?

Sonny Rocker – Com certeza. Cada um com sua característica. Por exemplo, o Henry Paul tinha surtos no meio da madrugada, quando dormíamos em algum hotel de estrada e tinha pesadelos; o McCoy e o Carl fumavam no quarto do Hotel com as janelas fechadas; o Joe vivia reclamando que tinha de ir direto dos shows para o maldito Carvalho Leiloeiro, seu último trabalho fora da música. Sem contar eu, que sempre fui chato e resmungão. (risos)

Afinal, qual o motivo do fim do Crazy Legs?

Sonny Rocker – O Caio me mandou um e-mail falando que iria se dedicar à carreira solo, que não queria mais tocar com o Crazy, e o McCoy foi junto nessa. Ele veio aqui em casa e disse que, dessa vez, queria jogar a toalha, que não aguentaria um novo recomeço. E, assim, encerramos o Crazy Legs.

Sonny Rocker e Henry Paul juntos novamente, agora no Henry Paul Trio. Nos fale mais sobre essa novidade.

Sonny Rocker – Como disse, nós ficamos sem nos falar durante 7 anos e sem tocar juntos por 13. Recentemente, ele me adicionou no Facebook, após nos encontrarmos em um show em Brasilia. Nós conversavamos sobre coisas da vida, mas nunca na possibilidade de tocarmos juntos navamente. Ele me falava que sempre teve problemas na banda, que não era fácil lidar com os baixistas e bateristas, e que estava ficando desmotivado. Falou que não ia mais ter baixista, só iria tocar com a Drika – sua mulher e baterista – e que faria os baixos na guitarra. Ele até tentou, mas disse que queria mesmo era ter um baixista na banda e que gostaria que esse cara fosse eu.

Sendo sincero, confesso que no começo eu não estava muito afim. Com o Crazy Legs, eu estava chegando ao limite máximo do desânimo e tudo o que eu queria era ficar no meu canto e me afastar de tudo e todos. Então, ele foi contratado para fazer um casamento, a noiva era fã da banda, mas queria um baixista que tivesse o corpo do Antonio Bandeiras com o queixo do Brad Pitt e o nariz do Bon Jovi, então, ele falou: “Sonny preciso de você. Cara, vamos lá, vai ser legal”.

Eu topei, pois me enquadrava em todos os quesitos que a noiva exigia (risos). O show foi muito foda, tinha uma paz rondando no ar, mesmo sem ensaiar e nunca mais termos tocado, desde a sua saída do Crazy Legs, deu tudo mais do que certo. A Drika me surpreendeu como baterista, eu me senti bem. Eu não ia entrar para banda, mas existem coisas na vida que não conseguimos achar explicações. E lá estou oficialmente ao lado deles.

Dá pra ter mais de uma banda e se dedicar em todos os projetos?

Sonny Rocker – Sim, basta querer, acreditar, respeitar e sonhar.

Além do Henry Paul Trio, você lidera o Space Comets. Nos fale um pouco sobre este projeto.

Sonny Rocker – O Space Comets foi ideia minha. O Osakabilly é casado com minha prima Denise e sempre que eu ia na casa deles, ele ficava tocando guitarra na minha frente e eu pensava: “esse japonês cabeçudo leva jeito pra coisa”. Eu sempre quis montar uma banda totalmente voltada aos covers intocáveis do rockabilly, mas precisava achar o time certo. Nós amadurecemos a ideia e ficamos estudando o repertório, baixo e guitarra, por muito tempo sem vocalista. Até que apareceu o vocalista Ton White, vindo da cidade de Porto Ferreira (SP). Foi muito fácil, o Ton e o Osakabilly são músicos talentosos, então surgiu o Space Comets.

Para você, como é viver de música, no caso o rockabilly, no Brasil? É possível?

Sonny Rocker – Olha só, eu posso dizer que vivi metade da minha vida somente da música e não me arrependo. Sim foi possível, mas hoje não sei se quero mais só viver da música.

Você também é tatuador, certo? Já se arrependendeu de alguma de suas tattoos?

Sonny Rocker – Eu sempre gostei de revistas em quadrinhos vivia rabiscando os cadernos da escola, acho que tudo começou por ai, fui cada vez mais me aprofundando na arte do lápis de cor, até que meu amigo Fabio Pimentel me disse: “Porra, Sonny, você podia tatuar, cara! Você tem talento para desenho, se quiser eu te ajudo”. Esse foi o pontapé inicial, depois um longo caminho até o primeiro traço na pele. Não é facil como fazer uma escala pentatônica no baixo de pau, você está com a responsabilidade em fazer uma coisa que não se apaga com a borracha, você soa frio na primeira tattoo.

A minha primeira tattoo que fiz em um braço foi no Toro, da banda Red Light Gangs. Ele teve coragem, era a primeira tattoo dele e a minha primeira chance, antes tinha riscado por longos meses pele de porco. Eu não me arrependi de nada que fiz até hoje em relação à tatuagem. Eu me considero um tatuador regular, pois cada pele tatuada é um aprendizado.

Tem algum outro hobby?

Sonny Rocker – Sim, coleciono artefatos da II Guerra Mundial, gosto de pular de paraquedas da estratosfera, amo matar ratos com espingarda de pressão, prático surf ferroviário e gosto de tomar café olhando nos olhos.

Nos conte um pouco sobre a sua fascinação por “artefatos de guerra”.

Sonny Rocker – Meu avô fez parte da F.E.B, eu cresci no meio de metralhadoras, fuzis e munições. Ele era torneiro mecânico e trabalhava para o exército. A casa dele, na Bahia, era um verdadeiro paiol. Saudades daquele velho louco e de suas cicatrizes mentais.

PING-PONG

Defina o que é a música para você em uma frase. A forma mais pura do sentimento.
MP3 ou Vinil? Os dois.
Um lugar… Padaria das Palmeiras, grandes recordações.
Um ídolo… Na música, Elvis Presley. Na vida, meu pai.
Um lugar para ouvir rock ‘n roll… Em qualquer lugar, não importa, sempre rock´n´roll.
Um show memorável… São 3 shows, Waldorf Alemanha, Hangar 110 gravação do CD ao Vivo e Musikaos.
Um músico… O baixista Lee Rocker.
Um disco… O primeiro do Stray Cats (1981).
Uma música… Rockabilly Boogie – Johnny Burnette.

Entrevista Henry Paul, cantor e guitarrista de rockabilly

10 abr

henry-paul

Blues, soul, rockabilly, folk, jazz, funk, entre outras dezenas de estilos… Nada melhor do que curtir um velho e bom som, não é mesmo? Aos mais saudosistas, que acreditam na máxima “não se faz mais música como antigamente”, criei uma série de reportagens para provar que a boa música ainda vive – e o melhor: fora das vitrolas empoeiradas.

Nessa série do Good Old Music, publicada no Be Style, trago entrevistas com músicos e bandas atuais que apostam em algum estilo musical que foi sucesso no passado (até os anos 1970), mas hoje vem perdendo espaço na mídia para a música pop, o indie, o hip-hop, entre outras vertentes.

Para abrir a série, convidei o cantor e guitarrista de rockabilly, Henry Paul. Influenciado por nomes como Elvis Presley e Carl Perkins, Paulo Henrique (seu verdadeiro nome) é bastante aclamado no meio “rocker” por ter uma voz muito parecida com o rei Elvis. Com mais de 25 anos de estrada, atualmente ele comanda a banda Henry Paul Trio, ao lado de Drikat Crash e Sonny Rocker, e é um dos fundadores do Crazy Legs Rockabilly, no qual participou da primeira formação com Fabio McCoy e Sonny. Confira nosso bate-papo!

Como e quando você começou a ouvir rockabilly?

Henry Paul – Eu comecei a ouvir o som em 1976, por conta da novela temática Estúpido Cupido, da TV Globo. Na época, eu não sabia diferenciar o rockabilly do rock ‘n roll, eu achava que os dois eram a mesma coisa.

Nos fale um pouco sobre sua carreira. Como começou? Por quais bandas passou?

Henry Paul – O fato de cantar parecido com Elvis Presley, sempre me proporcionou apresentações em eventos com essa temática. Minha carreira começou em 1987 e eu cantava Elvis (anos 1950) em festas. Nesta época, eu já era fã do cantor há 10 anos e curtia o som dos anos 1950 há 11 anos. Apenas em 1992, comecei a montar banda. Até então, eu só cantava com músicos que tocavam na casa que me contratava. Montei minha primeira banda oficialmente em 1995, ela se chamava Elvis Rocker. Depois, tive uma segunda formação da mesma banda em 1996, que, no ano seguinte, 1997, teve o nome mudado para Crazy Legs. Fiquei nesta banda até 2001 e no ano seguinte montei a Henry Paul Trio.

Henry Paul Trio foi por um tempo Henry Paul Double, com você na guitarra e nos vocais, e sua esposa e parceira, Drikat Crash, na bateria. É possível fazer rockabilly sem o baixo?

Henry Paul – O rockabilly é um ritmo musical, e música, na minha opinião, dá pra fazer até em uma caixa de fósforo! (risos). Como, desde a Crazy Legs, nós usávamos baixo acústico, guitarra semi-acústica e bateria em pé, acabamos declarando que só assim é que se toca rockabilly. Se eu tivesse começado no esquema de dupla, acredito que hoje seria normal. (risos). Bom, eu acabo me desdobrando um pouco pra fazer o som, mas a galera dança, ninguém fica parado, e isso prova que também dá pra fazer em dupla. Mas, isso não quer dizer que estamos perpetuando o trabalho dessa maneira, inclusive, acabamos de voltar a ser trio, com o baixista Sonny Rocker, ex-Crazy Legs e atual Space Comets.

Sonny Rocker e Henry Paul juntos novamente. Nos fale mais sobre essa novidade.

Henry Paul – O Sonny é a única pessoa que poderia fazer a banda voltar a ser trio, pois temos muita química, somos amigos e verdadeiros um com o outro. Somos rockers e estamos na estrada há muito tempo. Para a gente, foi um presente divino continuar essa parceria.

Nos conte um pouco do seu trabalho com o Crazy Legs, uma das mais reconhecidas bandas nacionais do gênero, que acaba de encerrar suas atividades com a última formação.

Henry Paul – Na verdade, eu e a Crazy Legs fomos os responsáveis pelo resurgimento do rockabilly nacional, com uma dose a mais de conhecimento que as bandas que nos antecederam. Nos anos 1990, o cenário rocker estava abandonado e nós o reativamos.
Tocávamos rockabilly de verdade com toda sua tradição, sem misturar com outros estilos como rock’n roll, doo wop, boogie woogie ou até versões satirizantes, como muitos fizeram.

Para você, como é viver de música, no caso o rockabilly, no Brasil?

Henry Paul – O lance de tocar rockabilly já passou de apenas diversão há muito tempo em minha vida. Hoje continuo me divertindo, mas, principalmente, trabalho e vivo disso. Eu pensava em ser cantor profissional aos 6 anos de idade, e até por isso, sempre lidei com tudo profissionalmente. Logo, tenho que ter companheiros que encarem a banda como trabalho, mas isso é complicado. Bom, mesmo com a falta de compromisso de vários baixistas, a coragem que me faz ir adiante e o companherismo da Drika, minha esposa e baterista, me inspiram a continuar.

Como é trabalhar com a sua esposa? Há quanto tempo estão na estrada juntos?

Henry Paul – A Drika está diretamente ligada ao meu fracasso ou ao meu sucesso. Sei que posso confiar plenamente nela. Na verdade, casais trabalhando juntos é um quadro normal, isso existe há muitos anos. Lembro-me de amigos da minha família que eram casados e tinham armazéns, lavanderias, mercearias… Eu acredito que é super proveitoso, pois é a nossa profissão e procuramos fazer do nosso negócio um sucesso. Não foi difícil, até porque nos conhecemos há 27 anos!

O rockabilly nasceu nos anos 1950 e retomou sua popularidade na década de 1980. Como é fazer esse tipo de som hoje em dia? Quais são as principais dificuldades?

Henry Paul – Eu acho que hoje é bem mais fácil em todos os sentidos, do que foi nos anos 1980, pois temos muitas opções musicais que estimulam vários estilos de vida que, por sua vez, se misturam. O próprio termo “rockabilly” é mais conhecido hoje. Na década de 1980, o nome era totalmente desconhecido em nosso País. Acho que foi fundamental o surgimento do neorockabilly nos anos 1980, pois pôde mostrar ao brasileiro um ritmo eletrizante e nostalgicamente moderno.

Como é a aceitação do público?

Henry Paul – Como trabalho com isso, toco em bares, casa noturnas e tenho a consciência de que minha banda é uma banda de animação. Tocamos para a galera se divertir, portanto, conto com toda minha experiência e percepção para escolher o som certo, na hora certa e lugar. Isso faz toda a diferença. Não deixamos de fazer o que gostamos e somos sempre bem aceitos. Portanto, a aceitação vem de como você se coloca para o seu público.

E como você definiria este público?

Henry Paul – O meu público é bem variado, independente de cena, eu vou ao lugar e faço o lugar ficar “rocker” (risos). Sempre aparece gente nova. O que faz a diferença, talvez, seja o fato de ser verdadeiro no que se faz. Aí sempre terá aceitação do público e oportunidade de renovar.

Na cena, fala-se muito sobre a diferença entre o verdadeiro “rocker”, aquele que vive o rockabilly, e o “bambolê”, quem curte o estilo mas não o vive. O que você pensa sobre isso?

Henry Paul – Eu penso que o novo sempre vem, e não vem igual, vem sempre com outras bagagens que fazem a diferença. Como vivo de música, sempre tenho a oportunidade de ver gente nova. Já vi muitas gerações e percebo que toda época é diferente da outra. O que temos que fazer é nos preocupar com o nosso, somente o nosso, e deixar o outro ser do jeito que quiser, pois nunca vamos mudar o imutável, que não é o estilo, mas sim o novo que sempre vem.

Como você vê o cenário musical popular atual?

Henry Paul – Em se tratando de composições, criações musicais, com certeza se formos procurar sem a ajuda da grande mídia, poderemos encontrar muita gente boa, sem fama mundial, porém com muito talento. Agora, o cenário musical popular, aos olhos da mídia, sem dúvidas é um lixo insuportável.

Se pudesse voltar no tempo e assistir a um show, quem seria o músico escolhido e qual época?

Henry Paul – Queria muito poder ter visto as apresentações do Elvis nos anos 1950, foi o primeiro registro de um concerto de rock. Ele, para mim, representa tudo que motivou e motiva a minha vida na cena rockabilly.

O que você sente quando está no palco? Qual conselho você daria para quem está começando?

Henry Paul – Sinto que estou fazendo aquilo que realmente vim fazer neste planeta chamado Terra (risos). Agora, conselho… Ser verdadeiro com você mesmo, só assim poderá ser feliz com o que faz!

O que a internet mudou na forma de trabalhar com música?

Henry Paul – Ela simplesmente multiplicou as possibilidades. Com a internet, podemos mostrar nosso trabalho com muito mais facilidade e com qualidade de conhecimento inigualável, comparado há alguns anos. Só veio a acrescentar, sem dúvidas.

PING-PONG

Defina o que é o rockabilly para você em uma palavra? Estilo.

MP3 ou Vinil? O rockabilly.

Um lugar… Gravadora Sun Records, em Memphis – Tennessee (EUA).

Um ídolo… Elvis Presley.

Um lugar para ouvir rock ‘n roll… Aqui mesmo.

Um show memorável… Aquele que me realiza.

Um músico… O guitarrista Scott Moore.

Um disco… The Sun Sessions (1954 – 1955). do Elvis Presley.

Uma música… Baby let’s play house, composta por Arthur Gunter e gravada por Elvis Presley em 1955.

O que você precisa saber para começar a ouvir Rockabilly

19 set

rockabilly

Definitivamente a música – boa, que fique claro – é algo atemporal. O que acontece é que alguns ritmos, mesmo ultrapassando gerações, trazem consigo atitudes características de determinada época. Esse é o caso do Rockabilly, o rock nascido nos anos 1950 nos Estados Unidos, que até hoje faz parte do estilo de vida de muita gente, inclusive no Brasil.

Além da música popularizada por nomes como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, alguns detalhes são considerados essenciais para os amantes do gênero. São eles: a dança, os penteados repletos de topetes, costeletas e franjinhas, as roupas e acessórios com referências de época (vestidos acinturados, jaquetas de couro, etc), os carros clássicos, e por aí vai.

A tribo dos topetes

Nascida nos anos 1950, a tribo perdeu espaço na década de 1960 por conta dos movimentos hippie e flower power nos Estados Unidos, e só foi retomar a sua popularidade nos anos 1980, com uma nova vertente tomada por bandas como Crazy Cavan e Stray Cats. Já no Brasil, o movimento chegou nos anos 1960 com a Jovem Guarda, retornando também na década de 1980, com o surgimento de grupos nacionais, como Coke Luxe.

O baixista paulista Danyael Lopes, das bandas Johnny Donald e The Nashville Killers, conta que a cena de rockabilly no Brasil vem mudando bastante desde os anos 1980. “É legal ver uma molecada de 20 e poucos anos conhecendo coisas obscuras e, ao mesmo tempo, trazendo novidades.”, acredita o músico.

Danyael explica ainda que antigamente a tribo era muito restrita, mas isso também mudou bastante. “Hoje, temos lanchonetes temáticas, opções de festas e ainda conseguimos encontrar as músicas na internet, sem precisar pagar fortunas em discos raros como acontecia nos anos 1980.”, completa.

Lugares para ouvir e dançar

Para os amantes brasileiros do rockabilly, em São Paulo existem alguns bares e casas noturnas dedicados ao estilo. No The Clock Rock Bar, em Perdizes, por exemplo, tudo é inspirado nos anos 1950. Desde o cardápio, com os tradicionais hambúrgueres e milk-shakes, até a decoração, as roupas dos funcionários e a música. As festas acontecem de sexta a domingo, às 21h, com entrada que varia de R$ 15 a R$ 28.

A casa também abriga aulas, em horários alternativos, para quem quer aprender a dançar. “Além das pessoas e o ambiente serem ótimos, toca um rockabilly ao vivo e antes da baladinha tem uma pequena aula de dança, que cada vez que eu via instigava mais minha vontade de aprender a dançar. Por conta disso, me matriculei no curso aos sábados.”, conta Letícia Gonçalves, frequentadora da casa e aluna do primeiro módulo do The Clock.

Uma opção recém lançada na capital paulista, para quem quer badalar, é a festa de Rockabilly e Lindy Hop do Bourbon Street, em Moema. Com cadeiras afastadas que abrem espaço para a pista de dança, a casa conta com banda ao vivo e discotecagem uma quinta-feira por mês. A entrada custa de R$ 28 a R$ 35. “Pessoas que não dançam também podem se divertir, pois as bandas sempre serão gostosas de ouvir e assistir”, diz Paula Febbe, idealizadora do evento.

Outra balada mensal que vem ganhando espaço na capital é a Rockabilly Dancin Party, no Fordiesel Club, na Rua Augusta – acontece em um domingo por mês, das 17h às 22h. A festa conta com discotecagem dos DJs Ailton Rockabilly e Leandro Rocker, também colecionadores de discos de vinil e compactos 45 RPM, que homenageiam grandes nomes do gênero a cada edição. Em 23 de setembro, é a vez de Janis Martin sacudir a pista. A entrada custa R$ 13.

O Biroska, na Santa Celília, também abriga periodicamente uma matinê dos anos 1950 e 1960, com muito rockabilly ao vivo e discotecagem. Denominada Pin Up’s Party, a festa acontece sempre no terceiro domingo do mês a partir das 17h e, eventualmente, nas noites de sábado. No ínicio do baile acontece, gratuitamente, instruções de dança para quem quer pegar o jeito. Para entrar na casa, é cobrada uma entrada no valor de R$ 18.

Além das festas fixas citadas, na capital paulista vira e mexe há baladas itinerantes de rockabilly, como é o caso das noites organizadas pelo YÉ. A próxima festa vai acontecer no Dex Bar, na Rua Augusta, neste sábado – dia 22 de setembro. A discotecagem especial Eddie Cochran fica por conta de YÉ, Sid Nelson e Wagnão e a entrada é de R$ 5.

Onde tudo começou

O cantor Carl Perkins, autor do hit “Blue Suede Shoes”, costumava dizer que o Rockabilly é uma espécie de “blues com uma batida country”. Essa talvez seja a maneira mais simples de descrever as origens e a sonoridade do gênero, que mistura referências da música negra (blues) e da música branca (country/hillbilly).

Mas, não se pode falar neste tipo de som sem citar Sam Phillips e sua gravadora Sun Records. No auge do separatismo racial americano, o empresário foi responsável por levar à sociedade WASP (White Anglo-Saxon Protestant) músicos brancos que cantavam e dançavam como negros, fazendo surgir também um estilo comportamental essencial na luta pela igualdade.

Segundo datam historiadores, o marco zero do rock aconteceu em 6 de julho de 1954, quando Elvis Presley, Scotty Moore e Bill Black entraram, sem muitas pretensões, nos estúdios da Sun, em Memphis, para gravar o blues “That’s All Right Mamma”, de Arthur Crudup. Numa versão com uma dose de swing, a música se tornou um dos primeiros hits rockabilly e o jovem Elvis logo foi coroado Rei do Rock.

Depois disso, outros músicos brancos de sucesso foram descobertos por Phillips e ganharam repercussão mundial. Entre eles, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis e Johnny Cash formavam o The Million Dollar Quartet (Tradução livre: O quarteto de 1 milhão de dólares) ao lado de Elvis Presley, sendo considerados alguns dos mais memoráveis talentos do gênero.

Essenciais

Confira minha lista com alguns dos músicos e clássicos do rockabilly, essenciais para rocker nenhum colocar defeito!

Elvis Presley

Jerry Lee Lewis

Carl Perkins

Gene Vincent

Eddie Cochran

Johnny Burnette Trio

Collins Kids

Wanda Jackson

Janis Martin

Stray Cats

Ronnie Self

Robert Gordon

http://www.youtube.com/watch?v=PBpGcIVAI9M

 

 

Será que o mundo da música ainda encontra um novo Mick Jagger?

26 jul

mick-jagger

Na música “Moves Like Jagger” (2011), Adam Levine, do Maroon 5, garante à sua parceira de dueto, Christina Aguilera, que imita os movimentos de Mick Jagger direitinho. Mesmo sabendo que o verso é apenas uma brincadeira que homenageia o jeito singular do vocalista dos Rolling Stones nos palcos, continuo tendo minhas dúvidas sobre alguém realmente conseguir os tais movimentos de Jagger.

O cantor britânico completa 69 anos nesta quinta-feira (26) e, apesar de estar a todo vapor com seus projetos pessoais, há rumores de que os Stones vão se aposentar em 2013. De acordo com o jornal Daily Mail, Jagger e seus companheiros vão tocar pela última vez no festival Glastonbury – um dos mais tradicionais do Reino Unido -, depois de uma pequena turnê que deve passar pela Inglaterra e pelos Estados Unidos.

Confesso que, como stonesmaníaca, a ideia de a banda acabar me deixa bastante triste. Assim como muitos outros fãs, sempre enxerguei os Glimmer Twins – Mick e Keith Richards – como seres imbatíveis. Super-heróis imortais. Mas, pelo visto, até eles têm a sua hora de parar.

E não podemos exigir que seja diferente. Já fizeram tudo o que tinham que fazer para se eternizarem através de sua obra. São 50 anos de banda, 50 anos de história, 50 anos de estrada. Portanto, missão mais que cumprida (enxuguemos as lágrimas e bola pra frente).

Um substituto?

Com toda essa história de aposentadoria, fico pensando na possibilidade de quererem eleger um “substituto” para Mick Jagger. Assim como aconteceu depois da morte de Michael Jackson, quando toda a imprensa falava em Justin Timberlake, Usher, Bruno Mars, Justin Bieber (blá, blá, blá) para tomar o lugar do Rei do Pop. Bullshit! Assim como NUNCA haverá alguém comparável ao irmão Jackson – por conta de toda a sua genialiadade e inovação -, também não acredito que possa existir um outro Mick.

Me desculpe Adam Levine e toda a leva de roqueiros desta e das gerações passadas, como Brandon Flowers (The Killers), Steven Tyler (Aerosmith), Jon Bon Jovi, e afins: Mick Jagger continua sendo insubstituível e incomparável. Foi ele quem abriu as portas para tudo isso. Pegou carona na tradição do blues americano e misturou com a vontade de quebrar conceitos na terra da rainha. Adicionou paixão, tesão e muita fé no que fazia, mesmo quando alguém (provavelmente um jornalista chato) insistia em perguntar: “Quando você pretende parar?”.

Mick Jagger é um dos maiores showmen da história, se não o maior. Se você discorda, caro leitor, é porque provavelmente nunca assistiu a um show dos Rolling Stones ou prestou atenção no comportamento de Jagger em cima dos palcos. Tesão, catarse, êxtase são termos que descrevem bem tudo isso. Não importa o tamanho do palco, ele corre, pula, ajoelha, rebola e canta – como se não houvesse amanhã.

Nunca vi nada parecido – e olhe que gosto e entendo razoavelmente de música. Nem Elvis Presley atingia um nível destes em apresentações ao vivo, pelo menos não desta maneira. Por isso, continuo duvidando que seja possível surgir um novo Mick Jagger. Até podemos ver nascer músicos que cantam com paixão ou que dançam sem parar. Mas, essa união entre fôlego, tesão pela música, movimentos acrobáticos e falta de vergonha na cara (até os 69 anos de idade!), acho difícil se reunir em outro artista.

Está para nascer alguém que realmente “moves like Jagger”!

Este texto foi originalmente publicado no Be Style.

Women and Songs

8 mar


No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, data símbolo da emancipação feminina ocidental. É nessa ocasião, que mulheres – namoradas, mães, avós e amigas – são homenageadas por seus entes queridos. Mas, para alguns músicos não precisa ser exatamente uma data especial para prestar uma homenagem a alguma moça especial. Confira nossa seleção com algumas canções famosas que tiveram uma mulher como fonte de inspiração. Veja quem entrou para a lista!

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